Se nos colocarmos, mesmo que apenas por alguns instantes, a contemplar os mistérios que Deus realizou na vida de Maria, com toda certeza nosso coração há de ficar atônito e repleto de uma gozosa esperança. É n’Ela que “começam a manifestar-se as ‘maravilhas de Deus’, que o Espírito vai realizar em Cristo e na Igreja” (CIC, 721). De fato, é impossível não ficar com a alma repleta de uma profunda consolação e sentido de agradecimento por Deus Nosso Senhor ter gerado e sonhado com Maria desde toda a eternidade, preparando-a para ser Morada de Seu Filho e, como ‘nova Eva’, mãe de uma nova humanidade redimida em Cristo: “Eis aí tua mãe” (Jo 19, 27b).
Para muitos de nós, já deve ter surgido o questionamento: o que é, afinal, contemplar? Gostaria de propor o episódio da Anunciação como guia de alguns pontos para nossa reflexão.
São Lucas nos conta que, mediante a saudação do Anjo - ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!’ -, Maria “perturbou-se com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação” (Lc 1, 29). Tentemos imaginar o impacto de tal acontecimento na vida de uma simples e jovem filha de Israel: ouvir que vai ser a mãe do “Filho do Altíssimo”, daquele cujo “reino não terá fim” (cf. Lc 1, 32-33). Mesmo concebida imaculada e capaz de acolher o desígnio de ser mãe d’Aquele em que “habita corporalmente a plenitude da Divindade” (Cl 2, 9), Maria sofria as conseqüências da estrutura humana decaída, ficando inclusive ‘perturbada’ com as palavras do Anjo. Vale lembrar que Deus jamais obrigou Maria a nada - tudo o que fez brotou de uma decisão pessoal e fundamental de Amor.

Contemplação é olhar de fé fito em Jesus!
A Virgem não deixa a perturbação ganhar terreno e, aberta à contemplação, responde convicta: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38b). Ela opta por viver radicalmente aquilo que diz o autor sagrado no Livro da Sabedoria: “não são os frutos da terra que alimentam o homem, mas é vossa palavra que conserva em vida aqueles que crêem em vós” (Sab 16, 26). Buscando ser toda de Deus, Maria se transmuta em Senhora nossa, apontando que a contemplação implica necessariamente em abandonar-se diante dos insondáveis desígnios de Deus por meio de um ato deliberadamente livre da vontade humana.
É por meio d’Ela que o “Espírito Santo começa a pôr em Comunhão com Cristo os homens, ‘objetos do amor benevolente de Deus’ (Lc 2, 14)” (CIC, 725), tornando-se prova viva de que o Todo-Poderoso nunca deixa de responder ao que se reconhece ‘Todo-Necessitado’ e sabe que, em última análise, nada mais é do que uma criatura necessitada de redenção.
A Igreja nos ensina que “a contemplação é olhar de fé fito em Jesus. [...] A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos de nosso coração; ensina-nos a ver tudo na luz de sua verdade e de sua compaixão por todos os homens” (CIC, 2715). Maria vive esse ‘olhar a Cristo’ em grau máximo: ensina que contemplar é buscar permanecer livre para amar, certos de que, em todos os momentos e situações da vida, Deus nos guia com seu amor benevolente.
Fontes:
BÍBLIA Sagrada Ave-Maria. 57 ed. São Paulo: Ave Maria, 2005.
CATECISMO da Igreja Católica (CIC). São Paulo: Vozes; Paulinas; Loyola; Ave-Maria, 1993.
BÍBLIA Sagrada Ave-Maria. 57 ed. São Paulo: Ave Maria, 2005.
CATECISMO da Igreja Católica (CIC). São Paulo: Vozes; Paulinas; Loyola; Ave-Maria, 1993.
Seu irmão e servidor em Cristo,
Leonardo Meira
Leonardo Meira
e-mail: leonardonmeira@gmail.com


A invenção da infância












